
Um princípio de rebelião na Penitenciária Professor Barreto Campelo (PPBC), na Ilha de Itamaracá, foi rapidamente controlado na tarde de ontem. Cerca de 250 detentos, de cinco pavilhões, subiram para o topo de uma das alas de encarceramento para protestar, pacificamente, contra a lentidão no andamento e na revisão da progressão de pena dos processos. O juiz da 1ª Vara de Execuções Penais, Abner Apolinário, foi a penitenciária para ouvir as reivindicações dos detentos e, depois de mais de uma hora de conversa, prometeu atender as solicitações o mais breve possível. Desde o último domingo os internos aderiram a greve de fome devido a demora judicial.
Na saída da penitenciária, o magistrado informou que retornará a PPBC na próxima semana já com alguns dos processos revistos. “A demanda deles é justa, mas o trabalho de revisão de processo e concessão de progressão de pena é um trabalho manual. O preso precisa ser avaliado por uma equipe de psicólogo e assistente social, além de receber o aval do promotor de Justiça. Tudo isso demanda tempo e se precisa estudar os processos. Na próxima quarta-feira, retorno e devo já ter atendido parte da solicitações”, respondeu o juiz Abner Apolinário.
Estima-se que mais de 100 prisioneiros, que cumprem pena na PPBC, tem os requisitos para ter acesso a progressão de pena e migrar para o regime semiaberto.
Por causa do princípio de rebelião, as visitas íntimas foram canceladas ontem. Essa atitude gerou revolta nas esposas e companheiras dos detentos, que denunciaram casos de maus-tratos pelos agentes penitenciários. “Eles pegam nossa identidade, no dia de visita, ficam com o documento e jogam no mato. A comida que serve lá parece até lavagem para porcos, de tão ruim”, reclamou uma das mulheres. Atualmente, 1.780 homens cumprem pena na Barreto Campelo. O diretor da unidade, o coronel Francisco Duarte, desconhece as denúncias.