domingo, 17 de outubro de 2010

Política Externa de Lula e Dilma


"Uma América do Sul unida moverá o tabuleiro de poder no mundo, não em benefício de um ou outro de nossos países, senão em benefício de todos. Juntos seremos mais soberanos".

Ao ler ontem estas palavras na Revista argentina Umbrales de América del Sur me dei conta do estrago e do retrocesso que seria a eleição do candidato tucano para o Brasil, para o sub-continente em termos de política internacional.

Um dos pontos altos desta política externa de Lula foi a negociação pacífica e sensata com os nossos vizinhos, Bolívia, Paraguai e Equador, consolidando para além de uma estabilidade na região, uma agenda positiva de solidariedade, uma busca por soluções conjuntas de infra-estrutura e energética. A postura equilibrada da nossa Chancelaria, deu o exemplo de que para combater as assimetrias, para consolidar um processo de cooperação regional entre países, quem pode mais deve arcar com os maiores custos. Não se faz integração sem reciprocidade.

Ao negarmos a adesão à ALCA, soubemos construir uma alternativa estratégica que é a UNASUL, que já tem dado frutos. Merece atenção também a criação de uma Universidade da Integração Latino-Americana, a UNILA, uma proposta arrojada para consolidar uma formação intelectual superior com perspectiva latino-americana, contando com estudantes e professores de todo o continente.

Outro ponto alto foi o redirecionamento de nossa política para países emergentes e periféricos com os quais o Brasil mantinha muito pouca relação comercial ou diplomática. Pouco a pouco vimos o presidente Lula e o Brasil aparecerem com vigor no conturbado cenário internacional, sendo ouvido e respeitado. Esta política não se sustentou apenas em retórica diplomática, mas em ações afirmativas, de perdão de dívidas para países em dificuldades, por manter acesa a discussão sobre as desigualdades e a pobreza em escala mundial. O Brasil ganhou respeito de estados e governos em todo o mundo e consolidou, com a Índia, uma liderança no G20. Temos hoje uma clara política Sul-Sul, com a Ásia, a África, América Central e Caribe e o Oriente Médio. Tudo isto sem criar arestas com os pólos dominantes do sistema mundial. E esta atitude pacifista, cooperativa, buscando mudança para melhor em todo o mundo, projetou definitivamente o nosso País no contexto internacional

Do ponto de vista do Itamaraty, foram muitas as contratações por concurso, de jovens diplomatas para dar sustentação ao arrojo desta nova política.

É digna de menção a polêmica atuação no conflito internacional iraniano. Uniu-se à Turquia para dialogar com o Irã e buscar uma saída pacífica para a ameaça de nova guerra que se fazia no momento que seria desastrosa para o mundo. Sabemos o que foi a Guerra do Iraque e os custos em vida humana e destruição de um país provocado pela arrogância e mão-de-ferro da política de George Bush.

Finalmente, dizer que em termos comerciais, o País hoje já negocia mais com a América Latina - acima de 20% de nossas exportações, do que com os Estados Unidos, 11%, com quem tínhamos uma relação subordinada de oligopsônio. Com relação à África, somados os países daquele sofrido continente, já representa a 4ª posição entre os nossos parceiros comerciais. Não se pode afirmar que se trata de retórica. São fatos concretos, estabelecidos com muito diálogo, respeito ao outro e uma agenda proativa de solidariedade internacional. A nossa Política Externa tem dado demonstrações inequívocas de que o mundo precisa mudar, precisa desarmar e que a humanidade contemporânea necessita urgentemente de uma nova ética, de menos intransigência, de mais cooperação e de coalizões, sob o risco de aprofundarmos os já graves problemas e conflitos internacionais, para só mencionar os graves desafios ambientais.

Por tudo isto, me dá calafrios e indignação pensar que o Brasil possa jogar tudo isto por terra, para alguém que representa, de partida, o repúdio ao Mercosul, o repúdio a integração sul-america, sob a falsa alegação de que é melhor nos aliarmos aos ricos e poderosos.

Somos hoje um País diferente em termos de política internacional. Ainda há muito a fazer, mas as premissas estão traçadas e têm recebido aprovação internacional com grande unanimidade. A futura presidente do País, Dilma Roussef , saberá dar continuidade a todos estes avanços, pois a semeadura foi bem feita e agora é o momento da manutenção do que foi bem construído, do aperfeiçoamento. O Brasil não mais será um país subordinado.

sábado, 16 de outubro de 2010

Repórter pergunta se Dilma é homossexual


Em viagem a Teresina, Dilma Rousseff foi surpreendida por uma pergunta inusitada. A candidata visitava um centro de reabilitação de deficientes. Gravou imagens que serão levadas à propaganda de televisão, e decidiu falar aos repórteres.

Discorria sobre o compromisso que assumira com pastores evangélicos em relação ao aborto e à união entre pessoas do mesmo sexo. De repente, um repórter piauiense atravessou na conversa uma questão insólita. Quis saber de Dilma se ela é homossexual. Assim, na lata.

A candidata irritou-se: "Meu querido, eu não vou responder a isso. Não vou responder. Tenho uma filha e sou avó, pelo amor de Deus. Não vou discutir nesse nível. Me desculpa, mas esse tipo de discussão, eu não vou ter aqui".

Dilma lamentou a boataria que a rodeia: “Isso não contribui em nada para o desenvolvimento do país”. À noite, a pupila de Lula escalou, ao lado de seu cabo eleitoral, o segundo palanque do segundo turno.

Superior Tribunal de Justiça: pode beber antes de dirigir

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) poderá servir de precedente para que se torne sem efeito a lei seca, que endureceu as punições, prevendo até a detenção, a motoristas flagrados dirigindo sob o efeito do álcool. Na prática, vai bastar um acusado se recusar a fazer exame de bafômetro ou de sangue.

A 6.ª Turma do STJ determinou o arquivamento de uma ação penal aberta contra um motorista que se recusou a fazer exames após ser flagrado por PMs dirigindo na contramão e com sinais de embriaguez. A decisão pode encorajar motoristas infratores e os questionamentos só terão fim após sentença do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o julgamento, que ocorreu em junho e só foi divulgado na segunda-feira, prevaleceu o voto do ministro Og Fernandes. Ele lamentou o fato de que a lei se tornou ineficaz por estabelecer que a embriaguez deve ser comprovada por meio de um exame de sangue ou teste do bafômetro. "O que se inovou com o objetivo de coibir mais eficazmente os delitos de trânsito pode tornar-se absolutamente ineficaz, bastando o indivíduo não se submeter ao exame de sangue ou em aparelho de ar alveolar pulmonar."

No julgamento, o ministro citou liminar dada no ano passado pelo ministro Joaquim Barbosa, do STF, segundo a qual, com a mudança da lei, para comprovar o estado de embriaguez é necessária a realização do exame. Como a Constituição estabelece que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, estabeleceu-se um impasse. No momento, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que questiona a constitucionalidade da lei seca, proposta pela Associação Brasileira de Restaurantes, está parada, sob relatoria do ministro aposentado Eros Grau.

Anteriormente, a legislação não previa a realização dos testes. Estabelecia apenas que poderia ser punido o motorista que dirigisse sob influência de álcool ou substância com efeitos análogos, expondo outras pessoas a danos. "É extremamente tormentoso deparar-se com essa falha legislativa", diz Fernandes. Os ministros do STJ acataram o relator e determinaram o trancamento da ação que tinha sido aberta contra o motorista por crime de embriaguez ao volante. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, esse crime pode ser punido com pena de detenção de até 3 anos, multa e suspensão ou proibição para dirigir.

O ministro Og Fernandes ainda observou que a mudança legislativa teve enorme repercussão e deu a impressão de que violência no trânsito decorrente do uso de bebida por motoristas "estaria definitivamente com os dias contados". No entanto, o legislador não levou em conta a necessidade da prova. "Não tendo sido realizado o teste do bafômetro, falta, obviamente, a certeza da satisfação desse requisito", afirmou o ministro na ocasião.

Só temos a lamentar.
Veja esse vídeo aqui

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dilma e a fé cristã


Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia". Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte. Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos.

Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade. Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica.Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho. É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho. Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz. Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

Por Frei Betto

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Proposta salarial do Governo do Estado para a PMPE em 2011

ANTEPROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº _______________________

EMENTA: Dispõe sobre a remuneração dos Militares Estaduais de Pernambuco.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º. Ficam criadas a Gratificação de Atividade Policial Militar (GAPM), para os militares ativos da Polícia Militar e a Gratificação de Atividade Bombeiro Militar (GABM), para os militares ativos do Corpo de Bombeiros Militar, devidas pelo desempenho de atividades que, na forma da lei, são inerentes às referidas Corporações Militares, com valores fixados, nos meses de Janeiro e Abril de 2011, de conformidade com o Anexo II da presente Lei.

§ 1º As gratificações criadas pelos artigos 8º, 9º, 10, 11 e 12 da Lei Complementar nº 59, de 05 de julho de 2004, com as modificações da Lei Complementar nº 155, de 26 de março de 2010, ficam extintas e substituídas pelas gratificações criadas pelo “caput” deste artigo.

§ 2º As gratificações de que trata o “caput” deste artigo não serão incorporadas aos proventos dos militares estaduais, quando de sua passagem para a inatividade.

Art. 2º. Como forma de compensação para o militar estadual ativo, na passagem para a inatividade, em substituição à Gratificação de Atividade Policial Militar e à Gratificação de Atividade Bombeiro Militar, fica instituído o Adicional de Inatividade, de que trata o inciso III do artigo 79 da Lei nº 10.426, de 27 de abril de 1990, o qual é devido em função da soma dos anos de serviço, com os acréscimos assegurados na legislação em vigor, à razão de 1% (um por cento) para cada ano de serviço computado, até atingir o máximo de 35% (trinta e cinco por cento).

§ 1º O Adicional de Inatividade terá como base de cálculo o soldo ou quotas de soldo, acrescido da parcela de complementação compensatória, quando for o caso, e da gratificação adicional de tempo de serviço, sendo calculado de acordo com o disposto no “caput” deste artigo.

§ 2º Os valores correspondentes ao adicional de inatividade, que integram os proventos dos militares estaduais inativos, percebidos de conformidade com as disposições dos §§ 1º e 4º do artigo 1º da Lei Complementar nº 32, de 27 de abril de 2001, por aqueles militares que, até 04 de junho de 1999, tiveram tal direito assegurado, serão excluídos da parcela autônoma de vantagem pessoal e absorvidos no cálculo do adicional de inatividade instituído pelo “caput” deste artigo.

Art. 3º. Fica assegurada ao militares estaduais da ativa, quando de sua passagem à reserva remunerada ou reforma, a promoção ao posto ou graduação imediatamente superior ao que ocupava em atividade e a percepção dos proventos correspondentes ao novo posto ou graduação.

Leia íntegra fazendo o download aqui

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dilma é vítima de mentiras espalhadas pela internet


Recebi recentemente um e-mail, destes que em princípio parecem ter o nobre intuito de nos alertar para algo grave. A mensagem dizia que a candidata à Presidência da República, Dilma Roussef, teria afirmado: “Nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória”. O spam, com texto pobre, dizia: “Após a inauguração de um comitê em Minas, Dilma é entrevistada por um jornalista local...” Como as informações eram muito vagas (um comitê em Minas; um jornalista local), saí em busca de algo mais consistente, como um vídeo da suposta declaração ou ao menos uma gravação em áudio, mas não encontrei nada. Assim, tive certeza que se tratava de mais uma mentira.

Se os cristãos fossem tão ágeis e eficientes para usar as ferramentas modernas da comunicação na pregação do Evangelho, assim como parecem ser para disseminar boatos, certamente muitas almas seriam ganhas para o Senhor Jesus.

Quem pensa que está prestando algum serviço ao Reino de Deus, espalhando uma informação sem ter certeza de sua veracidade, na verdade, está fazendo o jogo do diabo.

O Senhor Jesus não precisa de advogados, nem de assessores de comunicação que saiam em “defesa” de Seu Nome. Ele precisa de verdadeiros cristãos, que entendam, vivam e preguem a Verdade.

Devemos observar que pessoas mal intencionadas têm procurado confundir muitos cidadãos com mentiras mal elaboradas, a fim de atrapalhar o trabalho sério de alguns candidatos. Pense nisto.

Nestes dias que antecedem as eleições, devemos observar se a plataforma dos candidatos em quem pretendemos votar, não pode vir a prejudicar a Igreja. Use seu voto de forma consciente e responsável.

Por edirmacedo

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Insetos: ajudando a desvendar homicídios


- Vocês acharam o corpo em uma floresta?


- Não. Em um descampado.

- O homicídio não ocorreu lá. Tudo indica que foi dentro de uma mata fechada.

O biólogo José Roberto Pujol Luz, da Universidade de Brasília (UnB), fornecia uma informação importante para os peritos. Ele não precisou examinar o corpo. Bastaram algumas larvas obtidas do cadáver. Pujol pertence ao restrito grupo de brasileiros que se dedicam à entomologia forense - ciência dos insetos aplicada à solução de crimes.

Um assassino, no interior de Minas Gerais, arrancara dedos, dentes, olhos, orelhas e nariz do cadáver. Sem conseguir identificar a vítima, os policiais utilizaram a pista de Pujol para procurar o criminoso nas cidades vizinhas: as larvas pertenciam a espécies da mata e não havia florestas no município onde o corpo foi encontrado.

Post-mortem. "As larvas de moscas já têm 2 centímetros", observa Watson. "Isso significa que a morte ocorreu há 10 ou 12 horas." No filme Sherlock Holmes, de 2009, o amigo do famoso detetive exemplificou o principal uso da entomologia forense: a estimativa do intervalo decorrido entre a morte e a descoberta do corpo - uma variável conhecida como intervalo post-mortem.

"Os insetos funcionam como um cronômetro", aponta Arício Linhares, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considerado o iniciador da entomologia forense no País.

Graças ao seu aguçado olfato, as primeiras moscas chegam poucos minutos após a morte. Normalmente, depositam os ovos em locais protegidos, como os ouvidos, o nariz ou a boca. O tempo de desenvolvimento das larvas depende da espécie do inseto e da temperatura.

Depois de 72 horas, as previsões para intervalo post-mortem obtidas por critérios médico-legais se tornam muito imprecisas. É quando a entomologia forense surge como uma alternativa interessante.

Janyra Oliveira da Costa, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, no Rio, recorda quando foi chamada para periciar um homem enforcado. Apesar do rosto desfigurado, o corpo apresentava um estado incomum de conservação.

Confusos, os legistas apostavam em uma morte recente. Ao investigar os insetos, Janyra percebeu o erro. As larvas mais velhas, aquelas que os peritos criminais procuram em primeiro lugar, testemunhavam uma morte ocorrida há semanas.

Linhares lembra o caso de uma garota encontrada morta em um canavial no interior de São Paulo. O cadáver já não permitia uma estimativa precisa do momento do crime. O médico-legista arriscou que o crime havia acontecido no fim de semana anterior. O palpite inocentava o namorado da vítima, que possuía um álibi para o período.

A equipe da Unicamp contestou: os insetos mostravam que o crime ocorrera dias depois, durante a semana. "Devolvemos o namorado à cena do crime", afirma o pesquisador. O rapaz acabou confessando o assassinato.

Linhares procura funções matemáticas que permitam, com base na espécie, na temperatura ambiente e no peso das larvas, determinar sua idade.

Pupas. Claudio Von Zuben, da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), em Rio Claro, também recorre à matemática para encontrar protocolos que facilitem a vida dos peritos.

No fim do período larval, os insetos costumam deixar o cadáver e procurar o solo, onde se enterram, transformando-se em pupas. Só depois emergem como formas adultas e aladas. As pupas são importantes para a perícia, pois costumam ser mais velhas que as larvas e, por isso, oferecem uma estimativa mais precisa do intervalo post-mortem.

"Não faz sentido o perito remover duas toneladas de terra para encontrar pupas", aponta Von Zuben, que desenvolveu protocolos periciais para a tarefa de achar pupas com o mínimo esforço e o máximo resultado.

Alexandre Uruhary trabalhava no laboratório de Pujol, na UnB, quando foi chamado para auxiliar a perícia dos locais relacionados a um crime que chocou Brasília. "Chegando lá, vi que os insetos contavam uma história com muita clareza", afirma Uruhary.

Policiais procuravam uma jovem desaparecida. Acompanhando de longe a investigação, o assassino percebeu que chegavam cada vez mais perto do corpo e resolveu escondê-lo em outro lugar. Uruhary não teve dúvidas ao ver um local repleto de pupas de moscas Chrysomya, as primeiras a colonizar o corpo: era o local do crime.

Tudo indicava que o assassino não havia conseguido realizar seu intento de transladar o cadáver e o deixou pelo caminho. Larvas de besouros, que só iniciam seu trabalho mais tarde, foram achadas onde o corpo havia sido deixado, possibilitando estimar quando o criminoso retornou ao local do crime para escondê-lo.

Precisão. Patrícia Thyssen, da Unicamp, resolveu associar a entomologia forense à biologia molecular. Análises genéticas das larvas facilitariam sua identificação, que não dependeria mais de um conhecimento tão específico quanto a taxonomia de larvas de insetos, mas de um protocolo preciso e relativamente fácil de reproduzir.

Além disso, as ferramentas moleculares permitiriam diferenciar geneticamente populações de uma mesma espécie, mas que habitam lugares diferentes. Dessa forma, seria possível estimar com mais precisão o local onde aconteceu o crime, muitas vezes diferente do local onde o corpo é encontrado.

As novas tecnologias também transformam os insetos em verdadeiros registros químicos de como estava o organismo de uma pessoa no momento da sua morte. Substâncias que desapareceriam sem deixar rasto com a decomposição do corpo são preservadas nos insetos.

"É possível descobrir se a vítima de um crime usou algum tipo de droga: de cocaína a remédio para pressão", aponta Linhares. Basta analisar quimicamente as larvas ou as pupas.




domingo, 10 de outubro de 2010

Presas simulam briga, fazem reféns 03 agentes e fogem com armas

Alguns minutos foram suficientes para acionar agentes penitenciários dos presídios de Guajará-Mirim e policiais militares na noite desta sexta-feira (8) para capturar quatro presas que haviam feito de reféns três agentes penitenciárias na Casa de Prisão Albergue Feminino e fugiram.

De acordo com informações, quatro presas simularam por volta das 18h uma briga dentro da cela, as três agentes que estavam de serviço foram apartar a briga, mas as apenadas fizeram de reféns as agentes, trancaram as mesmas na “triagem”, pegaram dois revólveres calibre 38 com 12 munições, além da bolsa de uma das agentes, abriram o portão que dá acesso a rua e fugiram. Um policial militar que estava nas proximidades estranhou o fato de quatro pessoas saírem correndo de dentro do presídio e foi confirmar suas suspeitas, mas com a ajuda de populares conseguiu rastrear o paradeiro das apenadas. Na Av. 8 de Dezembro entre as avenidas Getúlio Vargas e Dom Pedro II, no bairro São José, as presas estavam escondidas no final de uma residência, mas foram detidas e junto estavam com as armas e a bolsa. Foram identificadas as presas sendo: Rafaela Ferreira de Souza, 23 anos, Beatriz Castro da Silva, 18 anos, Glaucineide dos Santos Caetano, 33 anos e Andressa Augusto de Oliveira, 18 anos, conduzidas a 1ª Delegacia de Polícia Civil e posteriormente encaminhadas novamente a Casa de Prisão Albergue Feminino.
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sábado, 9 de outubro de 2010

Major se envolve em acidente e ameaça mulher com um revólver

Um major da Polícia Militar ameaçou uma mulher com uma arma após se envolver em um acidente de trânsito na Avenida Rio Branco, Bairro do Recife, na noite desta sexta-feira (8). Segundo testemunhas, a vítima estava em um veículo com duas crianças e acabou trancando o major Enéas Cantarelli Júnior, 46 anos, que trafegava em uma moto. Irritado, o policial sacou o revólver para impedir que ela deixasse o local. O mesmo PM já é investigado por ter supostamente atirado dentro da boate Downtown, em maio deste ano.

O acidente ocorreu a poucos metros da Delegacia da Rio Branco, pouco depois das 18h, onde vítima e policial foram parar após a confusão. Um agente da delegacia afirmou que o oficial possuía sinais claros de embriaguez e chegou a bater boca com a delegada Marta Virgínia e com policiais civis daquele distrito. Para tentar contornar a situação, o coronel Gilvandir Ferreira, comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, se dirigiu ao local.

Nenhum dos envolvidos falou com a imprensa. A mulher ameaçada chorava muito no momento da chegada dos jornalistas, mas como não prestou queixa, o major acabou liberado. A delegada também não quis dar declarações sobre o caso. Apenas o coronel Gilvandir falou rapidamente com os repórteres e afirmou que as duas partes entraram em um acordo. Além disso, afirmou que não notou nenhum sinal de embriaguez no oficial.

HISTÓRICO - Esta não é a primeira vez que o major Cantarelli se mete em confusão. Em maio, a Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social instaurou procedimento administrativo para investigar o oficial. Na ocasião, Enéas Cantarelli se envolveu em uma briga dentro da boate Downtown. Em seguida, ele saiu do local e voltou armado. O major queria que as luzes fossem acesas e o som desligado para que ele procurasse as pessoas que o teriam agredido. Na confusão, um tiro foi disparado, mas ninguém ficou ferido.

As testemunhas da confusão contaram que o major começou o desentendimento ao usar o celular para fotografar uma mulher comprometida. O acompanhante da mulher teria se irritado e jogado um copo no oficial.

Várias equipes da PM compareceram ao local, mas o major deixou a casa noturna acompanhado por um amigo. Duas horas depois, o oficial foi à Delegacia de Plantão de Santo Amaro e registrou uma queixa por agressão.

No boletim de ocorrência, Enéas Cantarelli relatou que foi atacado por quatro homens dentro da boate. Os desconhecidos teriam atirado copos e garrafas no rosto do militar. Ao chegar à delegacia, o major tinha cortes na face e na boca.

De acordo com o corregedor-auxiliar da Secretaria de Defesa Social, coronel José Siqueira, uma comissão foi instaurada para investigar o caso do disparo na boate. Atualmente, o processo continua em andamento e o militar está à disposição da Polícia Militar para prestar todos os esclarecimentos.

O coronel agregou que, durante o processo, o major fica afastado e impossibilitado de desenvolver suas funções. O coronel, no entanto, afirmou não saber o exato estágio do processo, já que não se encontrava mais na sede da corregedoria.

Enéas Cantarelli já comandou a Companhia Independente de Operações Especiais da PM (Cioe).

Presos rendem agentes penitenciários e fogem de hospital

Quatro detentos que faziam tratamento médico no Hospital de Pronto-Socorro de Juiz de Fora, na Zona da Mata, aproveitaram um momento de distração dos Agentes Penitenciários que faziam a guarda da sala em que estavam e fugiram pela porta da frente da unidade de saúde na noite dessa quinta-feira (7). De acordo com a Polícia Militar, os suspeitos renderam os agentes, tomaram as armas que eles usavam e fugiram do local a pé.

Os quatro homens foram perseguidos por policiais militares depois de fugirem por um terreno baldio da região. Três deles foram recapturados em um matagal pouco mais de duas horas depois da fuga. O quarto detento teria feito um taxista refém, obrigado a vítima a deixá-lo em um bairro afastado e ainda não foi localizado.

Os presos recapturados foram levados ao Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) de Juiz de Fora. As circunstâncias da fuga serão investigadas pela Polícia.